Revista da Associação Médica Brasileira Revista da Associação Médica Brasileira
Rev Assoc Med Bras. 2013;59:607-13 - Vol. 59 Núm.06 DOI: 10.1016/j.ramb.2013.09.001

Doença pulmonar obstrutiva crônica em mulheres expostas à fumaça de fogão à lenha

Maria Auxiliadora Carmo Moreira a,, Maria Alves Barbosa b, José R Jardim c, Maria Conceição Cam Queiroz d, Lorine Uchôa Inácio d

a Serviço de Pneumologia, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil
b Faculdade de Enfermagem, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil
c Disciplina de Pneumologia, Departamento de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
d Programa de Residência em Pneumologia, Hospital das Clínicas, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil

Palavras-chave

Doença pulmonar obstrutiva crônica. Biomassa. Fumaça.

Resumo

Objetivo

Identificar sintomas respiratórios e DPOC (relação entre volume expiratório forçado no primeiro segundo e capacidade vital forçada < 0,70 e abaixo do limite inferior da normalidade) em mulheres não fumantes, com história de exposição à fumaça da combustão de lenha de ao menos 80 horas-ano.

Métodos

Foram incluídas 160 mulheres não tabagistas. Coletaram-se dados demográficos, sintomas e informações sobre outras exposições ambientais. Todas as mulheres realizaram espirometria e aquelas com DPOC também medidas de volumes pulmonares.

Resultados

O grupo com DPOC apresentava maior duração de exposição, em anos, à fumaça de lenha (p = 0,043), maior tempo de domicílio rural (p = 0,042), duração similar de tabagismo passivo (p = 0,297) e de trabalho na lavoura (p = 0,985). Tosse (69,8%), expectoração (55,8%) e chiado (67,4%) predominaram no grupo com DPOC (p < 0,001) quando comparado ao grupo sem DPOC (40,2%, 27,4%, 33,3%, respectivamente). As pacientes com DPOC apresentavam distúrbio obstrutivo leve a moderado e volumes pulmonares normais, exceto a relação entre o volume residual e a capacidade pulmonar total (VR/CPT) > 0,40 em 45%, que apresentou correlação negativa com o VEF1 e VEF1/CVF.

Conclusão

Mulheres com exposição prolongada à fumaça de lenha apresentaram DPOC predominantemente leve a moderado. Aquelas sem DPOC tiveram alta prevalência de sintomas respiratórios crônicos, justificando monitoramento clínico e espirométrico.