Revista da Associação Médica Brasileira Revista da Associação Médica Brasileira
Rev Assoc Med Bras. 2013;59:392-9 - Vol. 59 Núm.04 DOI: 10.1016/j.ramb.2013.02.008

Dopplervelocimetria da artéria cerebral média fetal e outros parâmetros de vitalidade fetal na sobrevida neonatal em gestações com insuficiência placentária

Roseli Mieko Yamamoto Nomura a,, Juliana Ikeda Niigaki a, Flávia Thiemi Horigome a, Rossana Pulcineli Vieira Francisco a, Marcelo Zugaib a

a Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil

Palavras-chave

Insuficiência placentária. Ultrassonografia. Doppler. Hipóxia fetal. Cordão umbilical. Artéria cerebral média. Artérias umbilicais.

Resumo

Objetivo

Estudar a dopplervelocimetria da artéria cerebral média fetal em gestações complicadas pela insuficiência placentária e verificar o seu papel no prognóstico de sobrevida neonatal.

Métodos

Trata-se de estudo prospectivo de 93 gestantes com diagnóstico de insuficiência placentária estabelecida antes da 34ª semana. A insuficiência placentária foi caracterizada pelo Doppler de artéria umbilical (AU) alterado (> p95). Foram analisados os seguintes parâmetros: índice de pulsatilidade (IP) da artéria umbilical (AU), IP da artéria cerebral média (ACM), relação cerebroplacentária - RCP (IP-ACM/IP-AU), pico de velocidade sistólica da ACM (PVS-ACM) e IP para veias (IPV) do ducto venoso (DV). Os parâmetros foram analisados pelos valores absolutos, em escores zeta (desvios padrão a partir da média) ou múltiplos da mediana (MoM). O desfecho investigado foi o óbito neonatal no período de internação após o nascimento.

Resultados

Nas 93 gestações analisadas, ocorreram 25 (26,9%) óbitos neonatais. No grupo que evoluiu com óbito neonatal, quando comparado com o grupo com sobrevida, houve associação significativa com o diagnóstico de diástole zero ou reversa (88% vs. 23,6%, p < 0,001), com maior mediana do IP da AU (2,9 vs. 1,7, p < 0,001) e seu escore zeta (10,4 vs. 4,9, p < 0,001); maior valor do PVS-ACM MoM (1,4 vs. 1,1, p = 0,012); menor valor da RCP (0,4 vs. 0,7, p < 0,001); maior valor do IPV-DV (1,2 vs. 0,8, p < 0,001) e no escore zeta do DV (3,6 vs. 0,6, p < 0,001). Na regressão logística, as variáveis independentes para a predição do óbito neonatal foram a idade gestacional no parto (OR = 0,45; IC95% 0,3 a 0,7, p < 0,001) e o escore zeta do IP-AU (OR 1,14, IC95% 1,0 a 1,3, p = 0,046).

Conclusão

Apesar da associação verificada pela análise univariada entre a morte neonatal e os parâmetros da dopplervelocimetria cerebral fetal, a análise multivariada identificou a prematuridade e o grau de insuficiência da circulação placentária como fatores independentes relacionados com o óbito neonatal em gestações complicadas por insuficiência placentária.

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