Revista da Associação Médica Brasileira Revista da Associação Médica Brasileira
Rev Assoc Med Bras. 2012;58:155-9 - Vol. 58 Núm.02

Impacto do treinamento dos músculos do assoalho pélvico na qualidade de vida em mulheres com incontinência urinária

Fátima Faní Fitz a, Mestrandas em Ginecologia; Fisioterapeutas do Ambulatório de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal, Thaís Fonseca Costa a, Mestrandas em Ginecologia; Fisioterapeutas do Ambulatório de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal, Deborah Mari Yamamoto a, Mestrandas em Ginecologia; Fisioterapeutas do Ambulatório de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal, Ana Paula Magalhães Resende b, Doutoras em Ginecologia; Fisioterapeutas do Ambulatório de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal, Liliana Stüpp b, Doutoras em Ginecologia; Fisioterapeutas do Ambulatório de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal, Marair Gracio Ferreira Sartori b, Doutora em Ginecologia; Professora Associada, Livre-docente, Mandel João Batista Castello Girão b, Doutor em Ginecologia; Professor Titular, Rodrigo Aquino Castro b, Doutor em Ginecologia; Professor Adjunto

a Departamento de Ginecologia, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP, Brasil
b Departamento de Ginecologia, EPM-UNIFESP, São Paulo, SP, Brasil

Palavras-chave

Modalidades de fisioterapia; qualidade de vida; incontinência urinária por estresse; soalho pélvico.

Resumo

Objetivo: Avaliar o impacto do treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP) na qualidade de vida (QV) em mulheres com incontinência urinária de esforço (IUE). Métodos: Ensaio clínico prospectivo com 36 mulheres com diagnóstico médico de IUE confirmado no estudo urodinâmico. Não foram incluídas mulheres com doenças neuromusculares, com uso de reposição hormonal e com prolapso grau III e IV. O protocolo de exercícios para os músculos do assoalho pélvico foi constituído de contrações lentas (fibras tônicas), seguidas de contrações rápidas (fibras fásicas), realizadas nas posições de decúbito dorsal, sentada e ortostática, três vezes na semana, por um período de três meses. Avaliou-se o impacto do TMAP na QV por meio do King's Health Questionnaire (KHQ), diário miccional e palpação digital para avaliar a função dos músculos do assoalho pélvico, durante a avaliação inicial e após os três meses de tratamento. O resultado foi descrito em médias e desvios-padrões. Utilizou-se o teste de Wilcoxon para comparação dos escores referentes ao KHQ para amostras pareadas, e adotou-se como nível de significância o valor de 0,05. Resultados: Observou-se diminuição significativa das médias dos escores dos domínios avaliados pelos KHQ. Esses domínios consistem na percepção da saúde, impacto da incontinência, limitações das atividades diárias, limitações físicas, limitações sociais, relações pessoais, emoções, sono/disposição e também medidas de gravidade. Em concordância com esses resultados, foram observados diminuição significativa na frequência urinária noturna e na perda urinária, bem como aumento significativo na força e endurance muscular. Conclusão: O treinamento muscular do assoalho pélvico proporcionou melhora significativa na QV de mulheres com IUE.